Entidades médicas no AC vão entrar com recurso contra atuação de profissionais sem revalida durante pandemia
CRM-AC, Sindmed e Associação dos Médicos vão entrar com recurso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região para impedir atuação de profissão sem permissão.
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Contrárias a atuação de profissionais sem revalida em unidades
de saúde do Acre, entidades médicas prometem entrar com um recurso no Tribunal
Regional Federal da 1ª Região para impedir a atuação provisória dos
profissionais que vão ser contratados pelo governo do Acre.
O Conselho Regional de
Medicina do Acre (CRM-AC), Sindicato dos Médicos (Sindmed) e Associação Medica
do Acre divulgaram uma nota de esclarecimento contra a decisão da Justiça
federal.
O G1 tentou
contato com o governo do Acre, mas não obteve resposta até a última atualização
desta matéria. Porém, em entrevista à Rede Amazônica no Acre, o governador
Gladson Cameli chegou a afirmar que alguns médicos não queriam trabalhar na
linha de frente da Covid-19.
"Tem
profissionais que não querem ter o contato direto com quem tem Covid-19. A
realidade é essa, não adianta dizer que tá tudo bem, porque não tá, não querem.
Estou disposto até, através de uma decisão judicial, contratar os brasileiros
que fizeram medicina nos países vizinhos. Isso é fato. Quem não quer trabalhar
eu respeito, é um direito de cada um, mas, se eu tiver oportunidade de dar para
quem quer cumprir com seu papel, vai ser contratado", disse.
Em abril, o Acre pediu autorização ao governo federal para contratar de forma provisória
profissionais formados no exterior com diploma, mas sem
autorização para exercer a profissão no Brasil devido à ausência do revalida. Os médicos devem
trabalhar no combate ao novo coronavírus.
O CRM-AC se posicionou
contra a atuação desde o início do pedido, destacando que o
revalida é lei no Brasil, portanto, deve ser exigido para os profissionais.
Na segunda (11), a 2ª
Vara Federal da Seção Judiciária do Acre concedeu uma tutela antecipada, em
caráter liminar, permitindo a contratação provisória dos profissionais.
Um levantamento do
IBGE divulgado ainda na semana passada, que analisa como está o cenário da
Saúde no estados, mostra que o Acre aparece como o
quarto estado com menor número de médicos, proporcionalmente.
São apenas 108 médicos para cada grupo de 100 mil habitantes.
“Já estamos
trabalhando o recurso e é basicamente o que temos defendido no processo, que é
a importância do revalida, que cuidar da vida é muito mais importante do que
questões políticas. Na verdade, não vão ter efetividade para a decisão
encaminhada, que na sua capa tem uma estrutura que de fato tem um fundamento
muito importante, que a pandemia, porém, o assunto não pode ser tratado dessa
forma”, acrescentou o assessor jurídico do CRM, Mário Rosa.
Impasse
Na nota, as entidades de saúde
revelam surpresa com o pedido do governo, pois sempre esteve em contato e
reuniões com a Secretaria de Saúde (Sesacre) para montar estratégias e ações de
combate à Covid-19 no estado.
“Nunca nos foi exposta por parte da secretaria a necessidade
urgente de contratação de médicos. Pelo contrário, somos nós, entidades
médicas, que cobramos constantemente a contratação de médicos sem concurso
efetivo no estado e que querem a oportunidade de trabalhar e auxiliar o estado
no combate à pandemia”, destaca a nota.
O assessor jurídico destacou ainda que o
Acre não tem deficit de profissionais, mas sofre com uma falta de organização e
distribuição dos servidores nas unidades de saúde do Acre. Para ele, o Estado
precisa melhorar o salário dos profissionais e não permitir a transferência de
servidores para outros estados.
“Falta organização. Temos hoje, inclusive,
dentro da estrutura da Fundação Hospitalar médicos trabalhando com carga
horária reduzido, o que poderia ser organizado e o Estado, se houver
necessidade, fazer o remanejamento desses médicos para cumprir com a carga para
onde está faltando médicos”, argumentou.
Rosa ressaltou que o governo federal
criou o programa ‘O Brasil Conta Comigo’, que é voltado exclusivamente para
contratação de profissionais de saúde para o enfretamento à pandemia.
O Estado não comprovou a ausência de
médicos, que colocou a política à frente da questão técnica. Nessa pandemia
existe um programa do governo federal. São médicos que se inscreveram e estão
habilitados a auxiliarem qualquer estado com problema de déficit de médicos. Em
nenhum momento, o governo requereu do governo federal essa ajuda, o que o
Estado está fazendo é terceirizar, contratando empresas para assumir a linha de
frente do novo coronavírus”, finalizou.
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