Técnica de enfermagem morre após atender paciente com Covid-19 no AC e família alega falta de EPIs
Paciente que ela atendeu morreu no dia 26 de abril. ‘Ela chegou a pedir jaleco, mas diziam que jaleco era só para os médicos’.
Por Tácita Muniz, G1 AC — Rio Branco
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A técnica de enfermagem Sandra Melo
da Silva, de 47 anos, morreu na manhã desta quarta-feira (20) na UTI do
Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC), em Rio Branco, após
complicações causada pela Covid-19.
Em nota, a Secretaria Estadual de
Saúde (Sesacre) confirmou e disse que a técnica e toda a equipe da UPA da
Cidade do Povo, onde ela trabalhava, fizeram os testes de PCR para Covid-19.
A medida foi tomada porque no dia 24
de abril a equipe atendeu um paciente com a doença, que morreu dois dias
depois.
“Na ocasião, o exame de Sandra, assim
como os dos demais profissionais, deu negativo para contaminação pelo novo
coronavírus. Na madrugada da segunda-feira,18, no entanto, ela foi levada para
a UPA do Segundo Distrito com baixa saturação de oxigênio, variando entre 32% e
34%. Teve de ser entubada e posteriormente foi encaminhada à UTI do Into-AC,
onde faleceu”, diz a nota da Sesacre.
Falta de EPIs
Já a família da profissional, além da
dor, está revoltada porque alega que faltaram equipamentos de proteção
individual para a técnica de enfermagem. Segundo o filho, o serralheiro Edson
José, de 25 anos, ela chegou a brigar com a responsável do setor para poder ter
um jaleco.
“Ela se contaminou dentro da UPA e
negaram jaleco, não quiseram dar. Disseram que os jalecos eram só para
médicos”, contou.
Para ter o mínimo de proteção, já que
era do grupo de risco por ter diabetes e problemas cardíacos, segundo a
família, Sandra recorria à mãe, que costurava jalecos para que ela pudesse
trabalhar.
“Minha vó que fazia os jalecos para
que ela pudesse trabalhar. Na UPA eles não davam. Inclusive, ela chegou a
discutir com a responsável do setor na UPA porque não tinha os equipamentos de
proteção”, relembra.
‘Quero lembrar dela
alegre’
Há mais de seis anos, Sandra
trabalhava na Saúde. A família diz que foi a realização de um sonho poder se
dedicar a ajudar a salvar vidas. Ao escolher a foto da mãe, o filho tem todo um
cuidado de que a imagem mostre o que a mãe foi em vida.
Mãe de quatro filhos e avó de quatro
netos, Edson lembra que a mãe era apaixonada pela vida.
“Fica a alegria dela de ter realizado
o sonho dela. Quero essa foto aqui porque ela queria ser uma pessoa alegre e
sempre quero lembrar dela com esse rosto feliz”, finaliza.
Sobre a falta de EPIs, a Sesacre nega
e diz que foram distribuídos a todos os servidores, sem distinção.
