Site Cultural de Feijó

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Maaadeeeeiiiiiira!

O Acre ainda continua exportando a madeira nobre para o exterior como exportava borracha e castanha no início do século 20

Saudade dos tempos em que as casas comerciais e residenciais, os clubes e a arquitetura dos casarios do Acre eram todos construídos com vários tipos de madeiras nobres que abundavam nossa região fronteiriça.
Atualmente, no Acre, construir uma casa em madeira nobre é três vezes mais caro do que a mesma casa construída em alvenaria.

O descontentamento é grande: os pequenos marceneiros reclamam que não conseguem comprar madeira de qualidade para construir seus móveis,  os saudosistas também andam insatisfeitos porque a estrutura e o formato das casas estão mudando (onde estão aquelas casas cobertas com cavaco, telhas de barro, paixubas, etc.?), os artistas reclamam porque já não podem construir as suas residências estabelecendo unicamente uma estética amazônica. O certo mesmo é que as casas do meu Acre já não possuem o formato, a estrutura e o material  que era utilizado em tempos idos.

Sabemos que a lei é de mercado, exportação, de compras e vendas. É que em todo o mundo capitalista as regras principais não possuem mesmo vergonha de se repetir. O Acre ainda continua exportando a madeira nobre para o exterior como exportava borracha e castanha no início do século 20. E as necessidades estéticas, tradicionais e culturais do homem acreano onde ficam? Exportar madeira interessa a quem, interessa a quê? Aos Bancos, aos empresários, ao governo, ao homem comum? Quem enriqueceu, quem ganhou com a exportação de castanha e borracha? Quem vai ganhar com a exportação de madeira, atualmente? Alguém podem responder essas minhas inúteis perguntas jogadas ao vento?

Eu, particularmente, tenho muita saudade de viver em uma casa com varandas, redes armadas por todos os lados, pássaros cantando ao redor, saudade de uma vida mais amena, menos mecanizada e fria; uma vida mais humana, regional, doce. O Acre, não precisa de um evolucionismo imediato. Ele não deveria ser, no futuro, uma São Paulo, uma velha e violenta metrópole. Um dia, Gilberto Gil disse-me que o Acre era aquilo que estava por vir. O que precisamos mesmo enquanto acreanos, e isso não tem presa, é termos uma evolução, crescermos a partir do nosso modelo de vida, cultura, arquitetura e estética. Sabemos que o Acre ainda possui 80% de sua flora preservada em pé, viva. E também sabemos que a natureza nunca se reproduz duas ou três vezes da mesma maneira.

Essa questão de reflorestamento, que é lenta e gradual, como foi a nossa abertura política, possui resultados pequenos que não beneficiam o todo da nossa humilde população.Ent endo que antes de vermos o pseudo desenvolvimento do mundo, precisamos primeiro olhar o para o nosso próprio umbigo, ver e respeitar a cultura dos nossos pioneiros, ancestrais, a cultura da nossa população tradicional: colonos, índios, seringueiros, ribeirinhos, nordestinos que chegaram nessas terras amazônicas e fizeram com seu próprio sangue com que essas terras, até então bolivianas, fossem anexadas ao território  brasileiro. A ação individual, local, se for autêntica, também é universal. E o pensador Sócrates, na Grécia Antiga já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”.

Tenho o sonho de que o governo do Acre, que busca trabalhar com nossos valores regionais e culturais realize um grande projeto objetivando que o verdadeiro homem acreano possa continuar construindo suas moradias com madeira de lei e não em alvenaria como nos dias atuais (Amigo, Tião Viana, sugira que os arquitetos que estão desenhando as casas da cidade do povo possam utilizar, na estrutura estética das casas, a nossa madeira de lei, a gente merece, ainda somos filhos da mata). Me falaram um dia, que em Tarauacá, o poder público subsidia a venda da carne bovina. Seria de vital importância a mesma ação em todo o Estado com a madeira. Sendo assim, o nosso homem simples, comum poderia construir suas residências de forma diferente das que são construídas em São Paulo ou em outra metrópole nacional.

Seria interessante  que parte dessa madeira que é exportada para os países da Europa ficasse no em nosso Estado para beneficiar nossa gente morena, mistura de árabes, índios e nordestinos valentes...

 http://www.oriobranco.net/component/content/article/30-noticias/34359-maaadeeeeiiiiiira.html

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