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Aos 82 anos, homem encontra amor em forró no AC e não pensa em casar

Zé e Marilda namoram há três anos e moram em casas separadas.
'A única coisa que a gente quer é o respeito', diz Marilda, de 51 anos.

Aline NascimentoDo G1 AC
Casal se conheceu no Senadinho (Foto: Aline Nascimento/G1)Casal se conheceu no Senadinho (Foto: Aline Nascimento/G1)
Eles pensavam que tinham vivido todas as experiências da vida, que depois de divórcios e separações, os anos caminhavam para mostrar que a época para amar novamente tinha ficado para trás. Mas, a vida trouxe surpresas para os corações envelhecidos de José Martins de Freitas, de 82 anos, mais conhecido como Zé Martins e Marilda Vieira, de 51 anos que reencontraram o amor na terceira idade.
Não queria saber desse negócio de namorado, estava muito tempo sozinha e me acostumei assim. Aí, me apareceu essa belezinha por aqui e achamos de namorar”,"
Marilda Batista
O casal se conheceu no Senadinho, o maior ponto de encontro dos idosos, em Rio Branco. Os encontros, celebrados com muito forro e arrasta pé, ocorrem às quartas e sextas-feiras, no jardim do Palácio das Secretarias, no Centro da capital acreana, e algumas vezes no Casarão. Foi numa dessas manhãs, que a história de Zé Martins e Marilda ganhou um novo capítulo. O namoro já dura três anos, os dois moram em casas separadas e não pensam em casamento.
Zé Martins conta que começou a paquerar Marilda depois de perceber que a aposentada estava sempre sozinha, dançava com pessoas diferentes ou ficava sempre no canto olhando os casais no salão. Curioso, ele conta que perguntou para algumas pessoas se a paquera era casada e a resposta foi mais que animadora para Zé tomar coragem e tirar Marilda para dançar.
De acordo com o aposentado, os primeiros passos de dança foram tímidos e cautelosos. Isso porque Marilda fugia do paquera. “Perguntava para os outros se ela tinha marido e diziam que ela andava sozinha, se tivesse, ninguém via. Depois eu ficava perto dela e ela sempre saindo de perto de mim. Puxei conversa, tirei para dançar, mas sentia que ela não me dava muita atenção”, relembra.
Com um sorriso no rosto, Marilda confirma que fugia de Zé Martins porque não queria saber mais de namorar, achava que não tinha mais idade para isso. Depois de 30 anos separada do ex-marido, dos filhos criados e cada um seguindo suas vidas, a aposentada conta que se acostumou viver sozinha.
Apenas quatro meses depois, Marilda resolveu ceder às investidas do pretendente e dar uma nova chance ao amor. “Só dançávamos, ficamos nisso por alguns meses. Depois ele falou que tinha gostado de mim. Não queria saber desse negócio de namorado, estava muito tempo sozinha e me acostumei assim. Aí, me apareceu essa belezinha por aqui e achamos de namorar”, conta sorridente.
Antes de firmarem compromisso, Zé Martins relembra que a namorada ficou sem ir ao forró durante algumas semanas. Ele diz que pensou que tinha perdido a namorada, que talvez ela realmente não quisesse nada com ele. “Ela viaja todo final de ano e eu não sabia. Percebi que ela não aparecia mais para dançar e achei que nem viesse mais. Até que um dia eu vim para o forró e depois ela chegou. Cheguei perto e disse que estava com muita saudade. Ela ficou muda, não falou nada. A partir daí não desgrudamos mais”, comemora.
Sem planos de casar ou morar juntos, Zé Martins vive em um apartamento no bairro Vanderlei Dantas e a namorada mora no bairro Montanhês. Para namorarem, os dois visitam a casa um do outro, passam fins de semanas juntos ou se encontraram no Senadinho para dançar. A relação dura há três anos e Marilda conta que o segredo é o respeito que um tem pelo outro.
“Nunca é tarde para encontrar uma pessoa que te entenda, que te compreenda e que se dá bem com você. A única coisa que a gente quer é o respeito. Passei minha juventude muito triste, porque eu criei meus filhos sozinha, só eu e Deus. Por isso eu tinha medo de ter um companheiro, tinha medo de sofrer mais ainda. Então, eu decidi tocar minha vida só, trabalhando e criando meus filhos. Graças a Deus eu venci. Ele me provou que é possível encontrar o amor na terceira idade”, finalizou.
Forró ajuda a aproximar casais da terceira idade
Assim como o casal de aposentados, Aparício Antunes, de 77 anos e Aldenora Batista, de 61 anos, também se conheceu nas manhãs alegres de música e dança do Senadinho. Antunes é natural da cidade de Soledade, no Rio Grande do Sul, mas mora no Acre há 23 anos, quando veio com a esposa e dois filhos para o estado acreano. Já Aldenora é da cidade de Tarauacá, a 400 km da capital, e veio embora para Rio Branco quando o marido faleceu. Ambos viúvos, os dois se encontraram a 11 meses e agora planejam terminar os dias juntos.

A relação começou com uma iniciativa de Aldenora. Ela conta que ficava observando o gaúcho de longe e depois de algumas semanas, se aproximou e pediu o telefone do paquera. “Eu que me aproximei dele. As pessoas falaram que ele era viúvo e estava querendo uma companheiro. Chamei-o para dançar e depois pedi o número do telefone. Liguei e marcamos um encontro aqui no Senadinho. Dançamos e conversamos bastante. Da outra vez que nós encontramos, já fui conhecer a família dele”, relembra.
Chamei para dançar e depois pedi o número do telefone"
Aldenora Batista
Aparício Antunes diz que o que mais gostou foi à atitude e a moralidade da companheira. Ele confessa que não teve nenhuma outra mulher depois que ficou viúvo, mas que procurava uma companheira para aproveitar os anos de vida. “Passei 58 anos casado. Minha esposa morreu há mais de dois anos e fiquei sozinho. Procurava uma companheira porque filho não pode fazer a companhia que a mulher faz. Só tive duas mulheres na vida, essa é a segunda e também será a última”, argumenta.
Diferente do namorado, Aldenora revela que tinha receio de se envolver com outra pessoa novamente. Ela conta que não esperava encontrar o amor depois de tanto tempo sozinha. “De pensar a gente pensa, mas não esperava encontrar. Eu não pensei em encontrar uma pessoa assim como ele, que me respeita e que é fiel comigo. Ele é meu companheiro”, afirma.
O casal também não divide o mesmo teto, mas se depender de Aldenora, esse é um problema que será resolvido em breve. “Eu pretendo me casar, ainda vamos chegar lá. Por enquanto só namoramos”, disse.
Homem de poucas palavras, Antunes limita-se a dizer que está feliz por o primeiro Dias dos Namorados, desde que ficou viúvo, bem acompanhado. “É o primeiro ano que passamos juntos. Vou comprar um presente para ela, porque ela merece”, finaliza.
Aparício e Aldenora estão juntos há 11 meses."Eu que me aproximei dele. As pessoas falaram que ele era viúvo e estava querendo uma companheira", diz Aldenora (Foto: Aline Nascimento/G1)Aparício e Aldenora estão juntos há 11 meses."Eu que me aproximei dele. As pessoas falaram que ele era viúvo e estava querendo uma companheira", diz Aldenora (Foto: Aline Nascimento/G1)

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