Após aumento do gás de cozinha, mulher recorre a fogão à lenha no AC
'O dinheiro do gás a gente deixa para comprar carne e feijão', diz mulher.
Preço da botija de gás em Cruzeiro do Sul chega a quase R$ 70.
Para driblar o aumento no preço do gás de cozinha, anunciado na última semana pela Petrobras, a dona de casa Francisca Muniz, de 54 anos, resolveu voltar a cozinhar no fogão à lenha. EmCruzeiro do Sul, distante 648 quilômetros de Rio Branco, cidade onde a dona de casa mora, a botija de 13 kg passou de R$ 65 para R$ 68, um aumento de quase 10%.
Mãe de seis filhos e vivendo com uma renda de R$ 199, do programa Bolsa Família, Francisca diz que tem preferido cozinhar alimentos como carnes e feijão no fogão à lenha que mandou construir nos fundos da casa dela.
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“É difícil a gente cozinhar nessa fumaça, mas é o jeito. Quem tem coragem sobrevive e quem não tem passa fome. O preço do gás está horrível, daí que a gente compra o alimento ou compra o gás. Quem tem um salário já reclama e acha difícil, minha renda é um Bolsa Família de R$ 199. Meu marido trabalha como diarista, vai um dia sim e outro não. Tenho um gás ali só para fazer o café ou alimentos, como arroz e macarrão, que são mais rápidos”, diz.
Ela conta que decidiu construir o fogão à lenha devido aos constantes aumentos em alguns produtos da cidade. “Cozinhava no gás quando o preço estava mais em conta. Agora quando quero fazer um feijão ou uma carne tem que ser na lenha. Se for fazer tudo no gás não dá não. Vamos levando a vida como Deus quer e batalhando sempre por melhorias", desabafa.
Para não estragar as panelas pelo uso constante do fogão à lenha, a dona de casa usa sacolas plásticas em volta do utensílio, o que ajuda na hora da limpeza. "A gente coloca a sacola para não dar tanto trabalho. Quando tira a panela do fogo está limpa ainda. Aprendi com o tempo, é vivendo e aprendendo. O preço do gás está caro. O dinheiro do gás a gente deixa para comprar carne e feijão, quando dá, na maioria das vezes, compro só o feijão. É difícil essa vida de pobre. A vida mais complicada é a vida do pobre”, finaliza.
Aumento
Os consumidores estão tendo que desembolsar quase R$ 70 para comprar uma botija de gás de 13 kg na segunda maior cidade do Acre, Cruzeiro do Sul, distante 648 quilômetros de Rio Branco, após um aumento de 9,6%. Antes, a botija era vendida por R$ 62 na cidade. Nesta semana, a Petrobras anunciou um reajuste de 15%. Em Rio Branco, o valor do botijão de 13 kg passou de R$ 53 para R$ 58.