Após ser agredido em bar no AC, homem quer ir embora do estado
Vítima diz que foi agredido por um segurança do local.
Dono do bar nega que agressor seja funcionário do estabelecimento.
Quatorze dias após sofrer uma agressão em um bar, localizado no Parque da Martenidade em Rio Branco, um jovem economista de 31 anos, que não quis se identificar, diz que pensa em ir embora do Acre. Natural de São Paulo, ele mora no estado acreano há dois anos e conta que após a agressão não se sente mais seguro e tem medo de ser morto. Ele acusa o segurança do bar de tê-lo agredido e alega ainda que o agressor também seria policial militar.
O economista conta que estava, na sexta-feira (11), em um bar quando viu uma cena "lamentável" e resolveu ir questionar. Segundo ele, um hippie entrou no estabelecimento e foi retirado do local por um funcionário, que teria se identificado como sendo um policial militar. Ao questionar o motivo do rapaz não poder permanecer no bar, o segurança teria insultado e partido para agressão física.
"Eu fui só questionar porque aquele rapaz não poderia estar ali. É um local aberto, se não querem qualquer pessoa lá dentro, que coloquem um muro. Ao perguntar o motivo, o segurança me agrediu verbalmente, toquei em seu braço, eu já não me lembro de mais nada, porque apaguei. Por meio das testemunhas e das marcas da agressão, eu soube que ele me deu um murro e ao apagar e cair, bati com a cabeça no chão, o que abriu um corte na cabeça onde peguei cinco pontos. Fiquei caído no chão tendo convulsões e sangrando muito", conta.
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Ainda muito abalado, o jovem diz que recebeu o apoio de muitas pessoas que estavam no local e que viram a cena. O economista diz que uma viatura da polícia militar chegou ao local antes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e que, mesmo o agressor tendo se apresentado, eles não o prenderam em flagrante. A vítima conta que os outros clientes do local que chamaram o Samu.
"Não faço ideia de quantos policiais me viram. Eu estava apagado, mas pelo relato das testemunhas, ao menos seis policiais sabem quem eu sou e por isso eu tenho medo. Eles não fizeram nada, não levaram o agressor em flagrante. Não tenho família aqui, posso aparecer morto e ninguém saber", relata ainda assustado.
Morri e voltei à vida"
diz jovem
O rapaz diz que até o músico que estava cantando no local no dia da agressão entrou em contato com ele e se solidarizou, mas que o dono do estabelecimento não o procurou. "Ninguém do bar veio perguntar como eu estava ou tentar resolver nada. Só estava questionando o motivo do hippie não poder estar ali e fui covardemente agredido. Eu morri e voltei à vida. Quem me viu naquela situação, se assusta ao me ver hoje", diz.
Em recuperação, o jovem conta que está preocupado em restabelecer sua saúde para depois correr atrás dos seus direitos. "Meus trabalhos todos estão parados. Obviamente, quero tomar as devidas precauções em relação à saúde, mas acho que dentro do sistema, preciso ver qual o mecanismo que me preserva. Porque fui cliente de um estabelecimento que não me forneceu a segurança necessária, pelo contrário, um funcionário da casa me agrediu. Então, eu acho que judicialmente eu tenho respaldos", conclui.
O G1 entrou em contato com o dono do estabelecimento foi informado de que o homem acusado de agredir o jovem não é funcionário do local. Ele não quis dar mais detalhes nem se pronunciar sobre o caso.