Mãe clama por tratamento de filhos dependentes químicos
Jovem é amarrado para não agredir mãe
Maria José da Silva cria os cinco filhos homens no bairro Jorge Lavocat. Dos cinco, três são dependentes químicos. E isso muda tudo na rotina dela. Na casa de madeira de poucos cômodos, o pequeno fogão branco com algumas partes quebradas tem uma botija de gás acorrentada.
“Ou acorrenta ou eles levam”, relata a mãe. “Já perdi as contas de quantos bujões (sic) eles levaram de mim”. Ela é aposentada e todos os meses parte do mirrado orçamento é comprometida com o vício dos filhos.
Além dos constantes furtos de dinheiro e objetos da casa, as agressões físicas também são comuns. Franzina, sem condições de reagir, Maria da Silva é constantemente agredida pelos três filhos dependentes. De mês em mês, falta de dinheiro, furtos, roubos, agressões: a ciranda não para.
Nesta quarta-feira, 9 de setembro, o desespero falou mais alto na casa de Maria José da Silva. Um dos filhos, o jovem Renilson da Silva, 24, estava muito agressivo. Um dos dois irmãos que não são dependentes químicos flagrou o momento em que a mãe já iria ser agredida. Interveio de uma forma dramática.
“Ou acorrenta ou ela vai morrer não apenas de desgosto, mas morrer mesmo. Quem garante que não?”, pergunta o irmão, enquanto amarra pés e mãos do irmão viciado. Renilson da Silva tem algum tipo de deficiência intelectual.
“Eu preciso de ajuda, meu Deus. Alguém olhe por mim porque eu já não aguento mais a dor”, a frase era dita como um grito. Aos prantos, Maria José da Silva ia vendo o filho sendo acorrentado. O choro e o desespero da mãe diante da situação impressionavam.
Na chegada da equipe do Samu, a mãe mantinha o olhar distante e fixo. O filho sempre nervoso agora estava calmo. Foi levado para o hospital. Maria José da Silva ficou em casa. Os outros dois filhos dependentes químicos iriam voltar em breve.
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