Empresa de transporte é condenada a pagar R$ 10 mil a estudante agredido e expulso de ônibus em Rio Branco
Via Verde Transportes também deve pagar R$ 5 mil a mãe de jovem e R$ 118 por danos materiais. Caso ocorreu em 2013 e decisão foi publicada nesta sexta (19) no Diário da Justiça.
Por Quésia Melo, G1 AC, Rio Branco
A empresa de transporte coletivo Via Verde deve pagar R$
10 mil de indenização ao jovem Ariel Pullig, de 24 anos, que foi agredido e expulso por um motorista e
um passageiro de ônibus em Rio Branco no ano de 2013. A
Justiça também condenou a empresa a pagar R$ 5 mil de danos morais a mãe do
estudante, a jornalista Golby Pullig, por ricochete – quando a ofensa é
dirigida a uma pessoa, mas outra sente os efeitos dela – além de R$ 118 por
danos materiais.
Ao G1, o diretor da Via Verde, Aluízio Abadio,
informou que ainda não foram notificados da decisão e que devem recorrer.
A decisão da 2ª Vara da Cível de Rio
Branco foi publicada no Diário da Justiça nesta sexta-feira (16). O caso ocorreu em 27 de fevereiro de 2013,
mas se tornou público em 6 de março do mesmo ano após uma testemunha filmar e
enviar o vídeo para a Rede Amazônica Acre. As imagens mostram o jovem, que é
esquizofrênico, sendo arrastado para fora do ônibus.
O documento, assinado pela juíza de
Direito Thaiz Khalil, diz que a expulsão do estudante de dentro do ônibus
“demonstra a prática de ato ilícito por parte do empregado da ré”, por isso,
fica evidente a responsabilidade civil da empresa Via Verde. A magistrada
entendeu que a agressão e expulsão causaram constrangimento, humilhação e
sentimento de injustiça devido às necessidades especiais dele.
Ao G1, Golby informou que devem analisar o processo e
definir se vão recorrer ou não da decisão. Segundo ela, na época o filho ficou
traumatizado e não queria mais ir para lugar nenhum de ônibus. Ela afirma que o
filho não tinha cartão de gratuidade, mas usava um passe-escolar e pagava a
passagem. O filho já relatou várias vezes agressões de motoristas e cobradores,
conta a jornalista.
“Ele não queria mais andar de
ônibus. Então, ou ele fazia grandes percursos a pé ou eu tinha de levar e
buscar nos lugares. Minha vida virou de cabeça para baixo naquele ano até ele
superar tudo e até hoje possui uma resistência. Tudo que ele conseguiu
conquistar de autonomia ele perdeu e ficou preso a toda essa questão do medo.
Hoje ele já faz tudo sozinho, mas foi traumático”, lamenta.