Presidente da Câmara de Tarauacá institui cota de 200 litros de combustível para cada vereador
A população do município de Tarauacá tem todos os motivos para reclamar
dos aumentos constantes nos preços dos combustíveis, o mesmo não se pode
afirmar dos vereadores da cidade do interior do Acre, que legislaram em causa
própria e através de uma resolução assinada e publicada no Diário Oficial pelo
presidente Carlos Tadeu (PCdoB), instituíram uma cota mensal de 200 litros de
gasolina para cada um dos 11 parlamentares que trabalham duas vezes por semana.
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Vale ressaltar que a Câmara de
Vereadores de Tarauacá não possui veículos oficiais. Portanto, os vereadores
estariam circulando e realizando tarefas particulares em seus veículos com
combustível pago pelo contribuinte. A resolução foi publicada no dia 22 de
agosto deste ano, com efeito retroativo a 1o de janeiro, mas de acordo com
informações da vereadora Janaina Furtado (REDE), a única que abriu mão da cota,
o benefício foi instituído em 2017.
Segundo a resolução, a gasolina recebida pelos vereadores seria
utilizada para o cumprimento do mandato. A justificativa do benefício é que os
parlamentares da Terra do Abacaxi necessitam de deslocamento para fiscalizar as
atividades da prefeita Marilete Vitorino (PSD). O salário de um vereador de
Tarauacá estaria em torno de R$ 7 mil, com a cota de gasolina ao preço médio
por litro em torno de R$ 5,17 – o acréscimo seria de R$ 1 mil na remuneração
dos parlamentares.
As vereadores Janaina Furtado e Veinha do Valmar (PDT) votaram contra a
cota de gasolina, mas apenas Janaina protocolou ofício abrindo mão dos 200
litros de combustível. A criação do benefício coloca em xeque a cruzada
anticorrupção que a maioria vereadores estaria travando com a prefeita. Eles
aprovaram um pedido de investigação da gestora que é acusada de quebrar a
hierarquia na transmissão do cargo e irregularidades nos repasses de recursos
para Câmara Municipal.
Carlos Tadeu afirma que resolução foi recomendação do TCE
O presidente da Câmara de Vereadores de Tarauacá, Carlos Tadeu, procurou a reportagem para falar sobre a resolução aprovada no mês de agosto, que institui a cota de 200 litros de gasolina para os parlamentares do município. De acordo com Tadeu, “sempre existiu a cota de manutenção dos mandatos dos vereadores”. Ele afirma que apenas legalizou o benefício que sempre foi usados para fiscalizar ações da prefeitura e atender demandas nas comunidades.
Ele afirma ainda que uma consulta para verificar a legalidade da cota de combustível foi realizada junto ao Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCEAC), em 2016, pelo então presidente Ezi Aragão, que manteve os pagamentos. “Sempre existiu a cota de manutenção dos mandatos. Não tem nenhum vereador que não precisa disso. Acredito que o único vereador que não precisa foi quem denunciou. Todos os vereadores emitem seus relatórios sobre o uso do combustível em motor de rabeta, caminhão, carro de passeio ou moto”.
Carlos Tadeu destaca que na sua passagem pela presidência também fez uma consulta ao Tribunal de Contas. O TCE recomendou que os vereadores aprovassem uma resolução para se resguardarem. “Não fui eu quem criou a cota de combustível, ela já existia aqui, como em várias outras câmaras municipais. Apenas fizemos nossa parte de procurar as instituições de controle para verificar a legalidade. Eu cogitei em cortar, mas os vereadores protestaram”.
O vereador comunista acredita que a denúncia é um tipo de retaliação por ele recebido uma denúncia contra a prefeita Marilete Vitorino e ter aprovado, em plenário, a criação de uma comissão de investigação das supostas irregularidades cometidas pela gestora municipal. “Foi por isso que veio esse contra-ataque para tentar intimidar os vereadores, mas nós não vamos baixar a cabeça, nós vamos aceitar as denúncias e investigar se procedem ou não”, finaliza Carlos Tadeu.
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A vereadora Janaina Furtado (REDE) abriu mão da cota de gasolina