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MP investiga se delegado desviou moto para oficial sem autorização da Justiça; ele nega


Procedimento investiga delegado Obetânio dos Santos, que respondia pela delegacia de Feijó. Delegacia nega que autorizou entrega de veículo.

Por Aline Nascimento, G1 AC — Rio Branco
Termo mostra que delegado não assinou a autorização da entrega do veículo  — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Acre
O Ministério Público do Acre (MP-AC) instaurou procedimento para investigar uma denúncia contra o delegado de Polícia Civil José Obetânio dos Santos. O procedimento apura se o delegado acautelou uma motocicleta apreendida para um oficial de Justiça sem autorização judicial.

O caso ocorreu em setembro de 2018, na Delegacia-Geral de Feijó, interior do Acre, quando Obetânio respondia pela unidade. Atualmente, o delegado responde pelos municípios de Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Porto Walter.

O MP destaca que a motocicleta já estava acautelada para uso da Polícia Civil, após ser apreendida em uma ocorrência de tráfico de drogas. Porém, segundo o órgão, o delegado teria desviado o veículo para o oficial de Justiça usar sem a devida autorização.

Termo sem assinatura
Ao G1, o delegado negou que tenha autorizado a entrega da moto para o oficial de Justiça. Segundo ele, o oficial chegou na delegacia afirmando que tinha conversado com o juiz da cidade e com o próprio delegado sobre a autorização da entrega.

“O indivíduo, quando chegou na delegacia, disse que já tinha falado comigo e com o juiz da época, mas nem falou comigo, nem com juiz e ninguém. Ele tinha perguntado antes se tinha condição de fazer a cautela da moto pra ele, e disse que não tinha porque a moto estava apreendida em flagrante por crime de tráfico de drogas”, confirmou.

O delegado acusa o oficial de ter enganado o policial que estava de plantão na delegacia. O policial, então, fez um termo de cautela em nome do oficial com a autorização do delegado. Porém, o documento não chegou a ser assinado pelo delegado.

“Nunca assinei esse termo de cautela, não tenho conhecimento dos fatos, o policial que estava na delegacia agiu de boa fé, porque é um excelente policial, e foi ludibriado”, ressaltou.

Ele acrescentou que não foi notificado das investigações. A moto já foi recolhida e levada novamente para a delegacia.
“Podiam muito bem ter falado comigo. Mas, mesmo assim estão no papel deles, como fiscal da lei, tem que fiscalizar mesmo. Só que, eu não tenho conhecimento dos fatos”, concluiu.


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