Aos 95 anos, idosa segue tradição e não toma banho na Semana Santa: 'essa roupa vou ficar até o final de sexta-feira'
Dias são dedicados à reflexão e oração. 'Mantenho essa rotina até hoje', diz Angélica Ribeiro que vive com a família em Cruzeiro do Sul.
Por Adelcimar Carvalho, G1 AC, Cruzeiro do Sul
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/T/J/B4PmmIQtSEIojq9nFCSg/mae-e-filho.jpg)
Na casa da aposentada Angélica Ribeiro da Silva, de 95
anos, todo mundo tem que seguir à risca às tradições da Semana Santa. Católica
fervorosa, ela não toma banho, não pega em dinheiro, nem varre a casa nos dias
santos. Lá, na Quinta e Sexta-feira Santa ninguém faz nada, só esta liberado
fazer orações.
“Na Semana Santa não tomo banho, não
varro casa, não me incomodo com a vida dos vizinhos, vivo da minha maneira.
Nasci e me criei vendo meu pai viver a Semana Santa, como santa mesmo, não
consentia ninguém jogar, fazer farra, brincar, fazer os afazeres domésticos e
mantenho essa rotina até hoje. Essa roupa que estou vou ficar até o final da
Sexta-feira Santa”, diz a aposentada.
Angélica exige também que seus
antigos costumes católicos sejam preservados em casa. O filho José Ramos de
Araújo, de 65anos, aprendeu isso desde pequeno. Então, nesse período dorme em
uma cama separada da esposa e também não recebe, cobra ou paga contas.
Ramos vive com a mãe em uma casa na
Rua Benjamin Constant, bairro do Colégio, em Cruzeiro do Sul e diz que foi
criado na rotina de não tomar banho, não dormir junto com a mulher nos dias
santos.
“A partir de quinta, eles só
voltavam a dormir juntos no Sábado de Aleluia. Eu ainda mantenho essa tradição,
não mantenho relação sexual com minha esposa neste período, dormimos separados.
Quando você está doente, você fica dois três dias sem manter relação, então,
porque que nos dias sagrados não podemos manter essa tradição?”, justifica
Ramos.