Sem profissionais, anestesia é aplicada por clínico geral em hospital no interior do Acre: 'ou a gente faz ou o paciente morre'
Clínicos gerais estariam aplicando anestesia e fazendo pequenas cirurgias de emergência para salvar a vida dos pacientes.
Por Karolini Oliveira, G1 AC, Rio Branco
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Hospital Geral de Feijó, no interior do Acre está há
anos sem anestesista e o sedativo é aplicado pelos próprios clínicos gerais. De
acordo com o médico Rosaldo Aguiar, há falta de especialistas também em
Tarauacá.
Porém, a Secretaria Estadual de
Saúde (Sesacre) informou que já tem um anestesista lotado em Tarauacá e outro,
que foi aprovado em concurso público, ainda deve tomar posse.
Já em Feijó, a Sesacre disse que
foram feitos concursos públicos para atender a necessidade do município, mas a
modalidade enfrenta uma escassez de profissionais em todo o país. A Saúde
destaca ainda que nada impede que o clínico geral faça o manuseio da anestesia.
Com a falta dos profissionais para
fazer os procedimentos cirúrgicos e aplicar anestesia, o médico diz que já
precisou fazer cirurgia, como cesariana ou pequenas cirurgias de emergências,
para salvar a vida dos pacientes.
“Nenhum médico faz cirurgia sem
anestesista. A gente já fez porque simplesmente não tem para onde correr. Eu
não sou anestesista, mas, ou a gente faz ou o paciente morre. Você tem que ser
o cirurgião, o anestesista, o obstetra, tem que ser tudo de uma vez só”,
explica o médico.
Aguiar diz que em Feijó já houve
anestesista, mas sempre acabam indo embora e o município fica sem assistência.
“Teve anestesista uma época, mas é sempre assim, vem uma equipe, faz cirurgia
um ou dois meses, depois vai embora”, lamenta.
Aguiar diz ainda ter conhecimento do
concurso público com provimento de vagas para anestesistas mas, segundo o
médico, os profissionais do concurso só vão atender casos eletivos, que podem
aguardar pelo melhor momento para fazer o procedimento cirúrgico, como de
hérnia e vesícula.
“Houve um concurso público agora e
eu vi uma informação de que vai ter um anestesista, mas só para fazer cirurgia
itinerante, cirurgia eletiva. Se por um acaso chega um paciente furado ou
baleado, ou alguma coisa assim, nós que temos que fazer”, ressalta o médico.
Em janeiro, um homem chegou ao hospital de Feijó com uma
perfuração no estômago e na vesícula. Temendo pela vida do homem, Aguiar diz
ter aplicado anestesia geral e feito a cirurgia com ajuda de outro médico para
salvar a vida do paciente.
“Normalmente quando acontece desse
jeito nós mandamos para Cruzeiro do Sul e o avião vem buscar, mas nesse caso
ele chegou 2h da manhã e eu tinha certeza que ele não ia amanhecer o dia.
Então, fizemos a cirurgia com a falta dos profissionais e, se não fizer, é
omissão de socorro. Se tivesse anestesista, seria muito bom”, finaliza o
médico.