No AC, estelionatários clonam WhatsApp de mulher e tentam aplicar golpe em amigos e familiares
Esquema assume conta após verificação de código. Por mensagem, golpistas pedem transferências bancárias a amigos e família.
Por Quésia Melo, G1 AC, Rio Branco
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/J/e/ne8GrBQG6pubJ4oAodqQ/golpewhatsapp1.jpg)
Um novo golpe no WhatsApp atingiu a mulher do
advogado Ítalo Costa, de 27 anos, que teve o aplicativo clonado nesta
quarta-feira (29). Os criminosos assumiram a conta da vítima e tiveram acesso
aos contatos de parentes e amigos.
Os estelionatários então se
passaram pela mulher e pediram empréstimos de até R$ 1 mil que deveriam ser
feitos por transferências bancárias.
O advogado afirma que ficou
sabendo de outras três pessoas que passaram pela mesma situação. O golpe
começou com ligações telefônicas de números com DDD 89 e 85.
Ao G1, o setor de crimes
cibernéticos da Polícia Federal no Acre (PF) informou que a “clonagem do
WhatsApp” começa com a com clonagem do cartão SIM, o chip do celular. A Polícia
Federal no Acre (PF-AC) destaca que não envia SMS ou e-mail para entrar em
contato com os cidadãos e nem solicita dados pessoais. Em caso de ligações, o
mais recomendado é retornar a chamada para um telefone oficial da PF e apurar o
caso.
Conforme a PF-AC, casos como o
da mulher de Costa ocorrem por meio de falsificação de documentos ou até mesmo
com a colaboração de algum funcionário da operadora de telefonia. Uma vez que o
chip é clonado, eles assumem o celular da vítima e começam a pedir
transferências bancárias aos contatos.
O golpe
Costa relata que o atendente
disse à vítima que era da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em
parceria com a PF e que estavam fazendo um programa de verificação de aparelhos
para saber se eram do exterior para que fosse ou não bloqueado. Ele pediu dados
pessoais dela que se negou a passar e foi ameaçada de ter o celular bloqueado.
O homem denunciou o caso à
PF-AC. Ele também registrou a ocorrência na Delegacia de Investigação Criminal
(DIC), onde informaram que houve outros casos de golpe. No local, indicaram a
ele procurar a Delegacia de Flagrantes (Defla) onde deve ir na quinta-feira
(29).
“Era uma pessoa inteligente, não era um golpe fajuto.
Ele alegou que tinha os dados, mas que devido a lei de segurança de informação
ele não poderia passar os dados, mas precisava que ela informasse. Ela se negou
e disse que entenderia que o celular dela de fora do país e seria bloqueado”,
relata Costa.
Após se negar a passar os dados
pessoais, o golpista disse que a vítima sentiria uma interrupção no WhatsApp e
da internet. O atendente então sugeriu enviar um código de seis dígitos por SMS
para que ela informasse a ele apenas esses números e então tivesse acesso ao
cadastro dela.
“Diante da insistência ela
acabou informando o código que recebeu pelo SMS, como quando vamos instalar o
WhatsApp e inserimos esse número. Depois que fez isso o atendente pediu que ela
ficasse com o celular em torno de 40 a 50 minutos enquanto faziam a
verificação. Foi então que desconfiei do golpe e pedi que ela não desligasse o
celular, pois ligariam para a família dela dizendo que ela havia sido
sequestrada e coisas do tipo”, conta.
A mulher permaneceu com o
celular ligado e quando tentou fazer o uso do WhatsApp não conseguiu mais
acessar os contatos e percebeu que o aplicativo havia sido bloqueado. Costa então
decidiu avisar no grupo da família sobre a situação e que ficassem calmos caso
alguém entrasse em contato. Porém, começou a receber prints de tios da mulher
pedindo dinheiro a eles.
Nas conversas, a pessoa se
passava por ela e pedia dinheiro. Isso tudo aconteceu a partir do código que
não deve ser informado caso mais alguém receba uma ligação como essa. Acredito
que esses dígitos dão acesso ao WhatsApp e passam a fazer o uso como se fossem
a pessoa”, relata.
Estelionatários
usam SMS e aplicativos maliciosos
Ainda segundo a
PF-AC, além da clonagem os estelionatários também aplicam golpes por meio do
envio de SMS, como é o caso denunciado por Costa, ou e-mails que redirecionam
para sites falsos de órgãos governamentais ou de bancos.
Os golpistas
também pedem a vítima que instale aplicativos maliciosos para coletar dados do
aparelho e enviar remotamente para outros celulares e computadores na internet.
Vítima
conseguiu alertar família
Nenhum parente
chegou a fazer depósitos, pois Costa percebeu o golpe e avisou a todos. Porém,
ele destaca que os usuários devem ficar atentos para não passar informações e
acabarem tendo a conta no WhatsApp hackeada.
Além disso, o
advogado conta que um colega da vítima relatou que tentou ligar para ela, mas
não conseguiu. Então, é possível que as ligações para o celular dela também
tivessem sido bloqueadas de alguma forma.
“Ela sofreu o
golpe, mas graças a Deus conseguimos informar a todos e principalmente as
pessoas mais idosas que são mais fáceis de cair nessas situações. Todos os
amigos da família mais próximos foram avisados. Inclusive, uma colega dela do
trabalho disse que iria fazer o depósito, pois acreditou no pedido. Eu espero
que as pessoas fiquem alertas”, afirma.
Prevenção
Para prevenir
casos como esse, a PF-AC diz que uma das medidas preventivas que podem ser
tomadas pelo usuário é a ativação da verificação de duas etapas no WhatsApp e
ter muita atenção ao utilizar o aplicativo em computadores saindo da função Web
após o uso.
O smartphone
também deve ser protegido com senha e as vítimas sempre devem desconfiar de
solicitações de ajuda por meio de mensagens de aplicativos ou redes sociais.
Outra dica da
PF-AC é uma cartilha disponibilizada pelo Centro de Tratamento de Redes com
dicas para evitar a clonagem do WhatsApp.