Sem estoque, vacina pentavalente está em falta nos postos de saúde no Acre
Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) informou ao G1 que o problema é nacional e que o desabastecimento é devido a qualidade do produto.
Por Alcinete Gadelha, G1 AC
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/C/u/9nMGWpQByAd7N74KEHVQ/falta-vacina-pentavalente-05.jpg)
As unidades públicas de saúde no Acre estão sem as doses da
vacina pentavalente que protege contra cinco doenças. As mães que procuram as
unidades, em Rio Branco, por exemplo, voltam para casa sem conseguir imunizar
os filhos.
A vacina está em falta
há pelo menos três meses na capital e chega a custar R$ 250 na rede particular.
A dose previne contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e meningite,
doenças que podem levar à morte. Disponibilizada em três doses, ela é obrigatória
para crianças de 2, 4 e 6 meses de idade.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/p/t/thUoA3TROfNKzZ9k9v2g/thais.jpg)
A publicitária Thais Zamith, de 28 anos, só conseguiu dar a
primeira dose da vacina ao pequeno Thales Ramiro, de 5 meses e meio, a segunda
está atrasada e corre o risco de ficar com a terceira em atraso também.
"Ele já está quase completando 6
meses e a primeira dose ele tomou no Rio de Janeiro porque ele nasceu lá.
Quando vim pra cá, já não tinha mais", conta.
A mãe conta que fica aflita com a
situação e que é frustrante não conseguir imunizar o filho.
"Porque eles não têm muita
imunidade, não têm a resistência que nós temos. Já não faço tanta coisa com ele
para não expor ele", lamenta.
A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) informou ao G1 que o problema é
nacional e que o desabastecimento é devido à qualidade do produto. E disse que
o laboratório que fornecia a vacina não atendeu aos critérios de qualidade
exigido pela Anvisa.
Já o Ministério da Saúde também informou
que vai distribuir a partir desta quinta-feira (9) um total de 1,7 milhão de
doses da vacina pentavalente para os estados, mas não especificou quantas devem
ser destinadas ao Acre.
A contadora Edmara Martins passa pela
mesma angústia e diz que já andou por várias unidades de saúde, mas não
encontra a vacina para dar a primeira dose para a filha de dois meses.
"Estava procurando, mas não tive
muito sucesso. Quando começou a faltar, as mães do grupo [de WhatsApp]
avisaram. Como não queria atrasar, fui atrás, mas não consegui mais",
conta.
Desde o dia 20 de dezembro Edmara conta
que procura pela dose da vacina.
"É uma vacina importantíssima. A
gente que tem um bebê recém-nascido, fica exposto. Você vai ao pediatra e ele
diz que a vacina está atrasada e que a gente não pode fazer isso, mas a gente
procura a rede pública para ter acesso e não é atendido", lamenta.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2020/A/3/a9d2MkRlmZSVtqXrk0QQ/e933441c-9eec-4251-a33a-0bcbfeb27cd5.jpg)
Com o neto de 5 meses, Geane Maria da
Silva, de 49 anos, foi à uma unidade de saúde, na manhã desta quinta-feira (9),
e mais uma vez foi informada que não tem a vacina para imunizar o pequeno que
está com 4 meses.
"Tem uns dois meses [que procura a
vacina]. Se não vacina e ele adoece, é pior. Vamos ter que gastar mais. Sem
contar que é judiação com a criança", conclui