Justiça alega irregularidades e determina interdição temporária e afastamento de diretora de Cento Socioeducativo em Feijó
Decisão enumera fugas, divisão entre facções e pôsteres de mulheres nuas em celas. Diretor do ISE diz que decisão é 'descabida' e que órgão já recorreu da medida.
Por Quesia Melo, G1 AC, Rio Branco
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Alegando irregularidades, a Justiça do Acre determinou a
interdição temporária do Centro Socioeducativo do município de Feijó e o
afastamento da diretora da unidade, Fernanda Lima. A decisão do juiz de Direito
Alex Ferreira Oivane afirma que o centro registrou a fuga de três adolescentes,
nos dias 27 e 30 de outubro, devido a falhas graves na segurança do local.
Ao G1, o diretor do Instituto Socioeducativo do Acre
(ISE-AC), Rafael Almeida, disse que a decisão é “descabida” e que o órgão já
ingressou com liminar de agravo para que o Tribunal de Justiça do Acre reveja a
medida. O magistrado proibiu qualquer internação no local até que haja uma nova
decisão sobre o caso.
“Nós, quando detectada alguma
irregularidade, substituímos a direção em questão de semanas. Também tivemos
quatro exonerações de agentes socioeducativos na unidade nos últimos 20 dias.
Tivemos o fortalecimento na segurança e nas atividades. Depois de tudo isso
chega o juiz com essa atitude, isso não faz sentido”, disse Almeida.
Ainda na decisão, o magistrado
destaca que a fuga em outubro não foi informada ao juízo e que tiveram
conhecimento do caso somente através das Polícias Civil e Militar de Feijó.
Segundo ele, durante uma inspeção realizada no local, a PM encontrou nomes de
várias facções criminosas na parede do solário e também em alto relevo na Ala A
e nas celas 3 e 4.
O diretor do ISE nega que os internos
tenham feito tatuagens dentro da unidade. O juiz afirma na decisão que os
menores também fizeram cortes de cabelo identificando facções criminosas e
ainda colaram pôsteres de mulheres nuas no interior das celas. Os adolescentes
também teriam sido separados por organizações criminosas.
“Não teve tatuagem, o desenho foi
feito com um pincel. No momento de cortar o cabelo muitos deles cortam o cabelo
um do outro, foi nesse momento que o menino fez o risco com nome de facção.
Isso é inadmissível, pois a gente passa a máquina toda no número 1 e tira
qualquer coisa desse tipo”, completou Almeida.
A decisão liminar diz que “a
instituição perdeu completamente o controle sobre os internos” e não cumpriu os
princípios estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O
magistrado diz que há indícios suficientes de ocorrências de irregularidades e
decide pelo afastamento da diretora para que haja uma “apuração ampla dos
fatos”.
“A Fernanda [diretora] é do quadro
do ISE, é formada em direito, e tem uma capacidade imensa para poder gerenciar.
Além disso, ela não estava na condição de diretora quando os problemas
aconteceram, ela assumiu recentemente e isso não foi avaliado”, finalizou
Almeida.
