Fuga para casar, 24 filhos e 100 aniversários: as histórias de uma centenária linda que esbanja saúde
Viúva há 12 anos, dona Maria Beatriz foi casada com o mesmo marido durante toda a vida
LAMLID NOBRE, DO CONTILNET
Chegar aos 100 anos de idade não é para todo mundo. De acordo com o IBGE, a expectativa de vida no Brasil, atualmente, é de 76 anos de idade. Fazer parte do seleto grupo de cerca de 30 mil pessoas, num universo de 209 milhões brasileiros, é um privilégio para poucos e com saúde, para menos ainda.
Uma dessas abençoadas é a dona Maria Beatriz de Oliveira, que chegou ao centenário de vida no último dia 25 de abril e quem a redação do ContilNet teve a alegria de conhecer nesta sexta-feira (04).

Maria Beatriz de Oliveira comemorou 100 anos/Foto: Arquivo da família
Acompanhada por sua nora, Terezinha Sant’ana, Dona Beatriz, que é mais conhecida por Beata, chegou andando, conversando, elegante, esbanjando saúde e causando inveja por sua alegria de viver.
Nascida no Ceará, ela conta que veio para o Acre num tempo de severa seca no Nordeste. “Viemos no navio Campos Sales. Eu e meu marido trazendo quatro crianças pequenas. Foi muito difícil. Passamos fome, adoecemos. Um dos meus meninos morreu na viagem. Não aguentou. Quando chegamos fomos recebidos no Hotel Chuí e com muita peleja. Me lembro que apareceu uma mulher boa que me deu três mamadeiras de leite.”, relatou.

Dona Maria Beatriz com a repórter Lamlid Nobre/Foto: ContilNet
Mostrando ter memória incrivelmente em dia, Dona Beatriz conta ainda como era a Rio Branco que conheceu na chegada. “Quando cheguei aqui não tinha nada do que tem hoje. Ali na 06 de agosto só tinham duas casas.”, lembra ela.
Ela não sabe precisar, mas pelo contexto e época, é provável que Dona Beatriz e seu marido façam parte das centenas de nordestinos, especialmente cearenses, que trocaram o sertão pela floresta atraídos pela promessa do ouro branco: o látex da seringueira.
Festa de aniversário
Sem nenhuma das doenças crônicas comuns a maioria dos idosos, como diabetes e hipertensão ou sequer alterações das taxas de colesterol, para comemorar a vida, dona Beatriz ganhou festa de aniversário ao lado dos 24 filhos, além dos netos, bisnetos e tataranetos que ela perdeu a conta de quantos são.
Indagada sobre a alimentação, a resposta é enfática. “Ah, eu como de tudo”, porém é exigente no paladar, “mas prefiro feijão, pouca carne, pouco arroz e muitas frutas.”, disse. E como se não bastasse, a nora acrescenta que ela não toma nem medicação.
Quando perguntada sobre qual o segredo para viver tantos anos, ela responde que não sabe. Disse apenas que sempre foi tranquila e nunca esquentou a cabeça.

Festa animada com familiares de Dona Maria Beatriz/Foto: Arquivo de Família
“Peia não resolve nada”
Viúva há 12 anos, foi casada com o mesmo marido durante toda a vida. O mesmo com quem ela veio do Ceará para viver no Acre. Joaquim, que faleceu aos 88 anos de idade e com quem ela teve que fugir para poder ficar junto. “Foi em cima de um jumento. Eu tinha 16 anos e meu pai não queria deixar. Então foi o jeito.”, conta acrescentando que ele sempre foi um bom marido.
Quando aqui chegaram, ele foi trabalhar em colônias e ela cuidava da casa e dos filhos. “Criei todos eles sem nunca precisarem apanhar. Peia não resolve nada. Nem eu e nem o pai deles nunca batemos. Nunca precisei dar nenhum puxão de orelha.”, afirmou.
O filho caçula tem 49 anos e é com quem é casado Terezinha Sant’ana. “É um privilégio para a família ter uma pessoa como ela em nosso convívio. Tivemos medo de que ela não chegasse aos 100 anos, porque estava desidratada, teve infecção urinária, mas graças a Deus está bem.”, comemora a nora.

Dona Maria Beatriz esteve na redação do ContilNet/Fto: ContilNet
O causo da cobra preta
Dona Beatriz conta ainda o causo da cobra preta. Segundo ela durante a noite, a cobra procura mulheres que estão amamentando e enquanto a mãe dorme com a criança no colo, ela coloca o rabo na boca da criança, para que não chore e em seu lugar mama no peito. “É verdade essa história da cobra mamar nas mulheres. Não só eu, mas o meu cunhado, o Chico Lopes também sabia disso.”, confirmou.
Outra excentricidade de Dona Beatriz é o fato de que fumava cachimbo, consumindo 10 pacotes ou mais de tabaco por semana e, de repente, um dia decidiu parar. “Eu comecei a ir pra igreja então parei e pronto.”, asseverou.
Sobre a vida e um conselho para os mais novos. “Eu digo que é bom ir guardando um pouquinho do que a gente tem para nunca faltar. Ser amigo, conversar sempre. É isso.”, finalizou.
